
No início de 2026, Ready Neutro manteve a tradição e lançou o seu single de Bem-vindo 2026 (50 Anos de incompetência) ao ano, um formato já conhecido no rap angolano por abrir ciclos com análises, provocações e posicionamentos.
Desta vez, o tema ultrapassa o habitual resumo anual e entra diretamente em polémicas do movimento, envolve nomes como Monsta e Leonardo Shankara, expandindo ainda o alcance para o cenário lusófono, incluindo Moçambique. O impacto é claro, reacender o debate competitivo no Rap angolano e reposicionar o rap de intervenção no centro da cultura.
O lançamento segue a linha clássica de Ready Neutro, Retrospetiva do ano, críticas sociais, política e observações sobre o estado actual do Rap Angolano. Mas desta vez, ele passou a barreira. Mais do que uma retrospectiva, há nomes, indiretas diretas e um posicionamento firme dentro das tensões que já vinham sendo desenhadas no movimento.
Leonardo Shankara o Monsta é teu, Extremo Signo indica o meu…
Dois meses depois, Monsta, recém-saído do álbum “Monsta”, lança o EP “FYNTA” (F*ck Yall Niggas Talk About), um projecto totalmente direcionado a Ready Neutro e Shankara. Aqui, o foco não é musicalidade ou estética comercial, é confronto lírico direto, com barras, punchlines e ataque sem blablá.
Monsta vem de uma escola (Força Suprema) que valoriza confronto e resistência. Referências como “Urna” não são por acaso, fazem parte de uma linhagem onde responder não é opção, é obrigação. Quando o nome entra na conversa sem contexto direto, a resposta vira posicionamento.
Sem fanatismo ou lados, este é um dos projectos mais fortes de ataque e defesa já lançados recentemente no rap angolano. Não se trata de qualidade sonora ou produção, mas sim de barras, punchlines e direcionamento direto, sem medo e sem blabla.
Monsta começa “FYNTA” com ataques claros ao Ready Neutro e Shankara:
Yo! Fuck your niggas, socavap! Não tamo no mesmo degrau! Só pode ser mesmo cara de pau Achas que és mais que um carapau Então tapou num pedestal P’ra minha estrada não tens pedal É abismal, viu teu fim Antes de escolheres o instrumental Olhão é qual, visão de suça Vá acordar o meu lado buçal Trouxeram um sucessor que aqui vai soluçar Sem solução, think about Se comparado a mim é o que te deu promoção Ainda perguntam quem é mais mau Aqui o teu pai leva tatau Neutro homem vago com receio de sair lesado Esse medo…
Monsta segue sem travão. O diss-Track ganha força e entra num nível de exigência alto:
Lembra do seu King Kong, esse diss vai ser ringtone Alguém te informe que vocês vivem na rocha modo Flintstone Prova disso em que em 12 minutos de track o ponto mais alto foi o meu nome Acabem com a discussão de quem é mais forte Meu rap virou gourmet, chancar essa Sem hip-hop Tu tás lost, não tens sócio Teu popstick são cops, tips são off, são bem soft Vão pra boxe, sem props, e sim é hip-hop Antes que eu fui do game, tu vieste e foste de forma precoce…
Há também espaço para crítica indireta ao papel dos OG’s. A ideia de neutralidade em conflitos líricos volta ao debate, até que ponto figuras experientes devem tomar lados ou manter distância? Aqui, o rap fala mais alto que a diplomacia.
Ler também: Monsta lança EP “FYNTA” e responde Ready Neutro
“FYNTA” termina com “LTDC”, onde Monsta traz storytelling sobre a sua trajetória e deixa claro que nunca fez música para ser aceite. Em linhas como “Sempre tive cuidado de pedir ajuda para não pedir aos Judas…”, reforça a sua posição. Já em “ENMR”, mostra que, mesmo no meio de falsos, nunca se rendeu.
Sem escolher lados, e passadas 24 horas, não houve resposta de Ready Neutro nem de Leonardo Shankara.
O rap voltou ao confronto direto, e isso muda o ambiente.
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