
Tyler, The Creator é um dos rapper mais influentes do Hip Hop actual e tomou uma decisão incomum, deixou uma cláusula no seu testamento que proíbe qualquer lançamento de músicas ou álbuns após a sua morte. A regra é clara. Se ele falecer enquanto estiver a produzir um projecto, esse material não pode ser lançado de forma alguma. Importa porque levanta um debate sério sobre controlo artístico, ética e dinheiro na indústria musical.
No Hip Hop, nem sempre a vontade do artista é respeitada depois da morte. Em muitos casos, o catálogo vira activo financeiro. O dinheiro fala mais alto e surgem álbuns póstumos que o próprio artista provavelmente não aprovaria. O exemplo clássico é o DMX. O álbum Exodus, lançado em 2021 após a sua morte, dificilmente teria sido apresentado daquela forma se ele estivesse vivo.
Outro caso polémico é a música “The Way”, colaboração entre Juice WRLD e XXXTentacion. Tudo indica que Juice WRLD não autorizaria esse single nos moldes em que foi lançado. Isso não significa que esses artistas não quisessem lançar mais música, mas sim que fariam escolhas diferentes, com outro critério artístico.
Por outro lado, nem todo álbum póstumo é um erro. Balloonerism (2025), de Mac Miller, é frequentemente citado como um projeto que respeita a visão do artista e poderia ter sido lançado da mesma forma em vida. O mesmo argumento é usado por alguns fãs em relação a Bad Vibes Forever (2019), de XXXTentacion, que seguiu uma linha próxima do que ele já vinha a construir.
A decisão de Tyler, The Creator coloca limites claros. Ele escolhe proteger a sua obra, a sua narrativa e o seu legado. Num género onde a exploração póstuma é comum, essa postura reforça a ideia de que o artista deve ter a última palavra, mesmo depois da morte.
No fim, o debate não é apenas sobre lançar ou não lançar música póstuma. É sobre respeito, visão artística e até onde a indústria pode ir quando o criador já não está presente. Tyler deixou a mensagem clara, a arte vem primeiro lugar.
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