
É oficial: Valete anunciou a chegada de uma nova mixtape. O projeto intitula-se “Bomberjack”, junta Valete & Jazz Swingers e contará com a participação do músico João Mortágua. O anuncio foi feito no Instagram do rapper, com uma legenda curta: “mix-tape Bomberjack, brevemente”. Ainda sem data exata, o anúncio já está a mexer com o hip hop lusófono.
Valete, nome artístico de Keidje Torres Lima, é rapper de origem santomense e uma das vozes mais consistentes do hip hop em Portugal desde 1997. O seu nome está diretamente ligado ao rap consciente, político e socialmente interventivo, com letras que questionam o sistema, a desigualdade e o papel do indivíduo na sociedade. Quando Valete lança música, o impacto vai além do entretenimento.
A sua discografia confirma esse peso cultural. Álbuns como “Educação Visual” (2002) e “Serviço Público” (2006) tornaram-se referências obrigatórias do rap português. A mixtape “Contra Cultura” (2012) reforçou o lado combativo do artista, enquanto o EP “Aperitivo” (2023) mostrou que Valete continua atual, lúcido e fiel à sua identidade artística.
“Bomberjack” surge como um projeto que cruzará rap e jazz, dois universos onde a palavra e a improvisação caminham juntas. A colaboração com os Jazz Swingers e a participação de João Mortágua apontam para uma abordagem mais experimental, mas sem abdicar da força lírica que sempre definiu Valete. É uma mixtape pensada para ouvir com atenção, não para consumo rápido.
Importa também realçar que Valete tem uma promessa antiga com os fãs, que já dura quase duas décadas. Depois de lançar “Serviço Público”, o rapper anunciou que lançaria um novo álbum de estúdio, mas esse projeto nunca chegou ao público. Estamos a falar de “Homo Líbero”, um álbum muito aguardado pelos fãs.
Segundo o próprio Valete, conforme explicou na série “Mixtapes Valete nas Batidas dos Outros”, a ideia sempre foi entregar um trabalho completo, onde ele próprio se vê também como produtor do projeto. Para isso, decidiu tirar um longo período para se dedicar ao estudo profundo da música, da produção e da construção musical. A promessa ia ainda mais longe: “Homo Líbero” seria um álbum duplo e conceitual, pensado como uma obra fechada, densa e madura.
Portanto, “Bomberjack” ganha ainda mais relevância. Não é apenas uma nova mixtape, mas mais um movimento estratégico dentro de uma carreira marcada por rigor artístico, coerência ideológica e respeito pela cultura hip hop. Para quem acompanha o rap lusófono com atenção, este lançamento não passará despercebido.
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