
O ano era 2017 e o rapper Kendrick Lamar lançava o seu quarto álbum de estúdio, intitulado “DAMN.”. Um projecto que, para muitos, não é o seu melhor álbum, mas é sem dúvida com mais impacto da sua carreira. “DAMN.” tornou-se uma obra à parte dentro do rap dos EUA e teve uma mudança definitiva na forma como o mundo passou a olhar para Kendrick Lamar.
Naquela época, Kendrick lançava um álbum que o colocava, de forma definitiva, no top 3 dos melhores rappers da actualidade. Hoje, é praticamente impossível falar de rap sem mencionar aquele que muitos consideram o melhor rapper da sua geração.
O álbum “DAMN.” traz um Kendrick Lamar mais lírico, mais introspectivo e muito mais direto nas suas abordagens. Antes deste trabalho, em 2015, ele já tinha lançado o clássico “To Pimp a Butterfly”, considerado por muitos o seu melhor álbum em termos conceptuais e artísticos.
Mas por que razão “DAMN.” teve mais impacto do que “To Pimp a Butterfly”?
A resposta é simples, “DAMN.” trouxe uma abordagem mais forte entre a vida e a morte. Mais do que isso, Kendrick procurava aqui um destino perfeito para as suas narrativas, este é um álbum que funciona como um ciclo. O sucesso de “DAMN.” também foi construído sobre o caminho aberto por “To Pimp a Butterfly”, tal como João Batista preparou o caminho para o Messias, uma metáfora clara para o papel que o álbum anterior teve na consolidação da sua carreira.
Normalmente, os álbuns conceptuais seguem uma lógica de audição da primeira até à última faixa. Mas em “DAMN.”, o conceito mantém-se mesmo quando o álbum é ouvido da última para a primeira música. Esse detalhe tornou-se um dos pontos mais altos do rap nos Estados Unidos naquela década.
Além do conceito, o álbum ganhou ainda mais força com sucessos como “HUMBLE.”, “DNA.” e “LOYALTY.”, que empurraram o projecto para o topo das paradas mundiais. O mundo estava olhos a Kendrick Lamar, não só pelas músicas, mas pela forma como ele se afirmava como um dos liricistas mais consistentes do rap americano.
O resultado foi estrondoso. “DAMN.” estreou em primeiro lugar na Billboard 200, com mais de 350 mil unidades equivalentes vendidas na primeira semana. Tornou-se a maior estreia de 2017 e colocou todas as suas 14 faixas simultaneamente na Billboard Hot 100. O single “HUMBLE.” chegou ao topo da parada de singles, consolidou ainda mais o impacto do álbum.
O projeto contou com participações de artistas como Rihanna, Zacari e a banda U2, e teve produção assinada por nomes de peso como Sounwave, Mike WiLL Made-It, The Alchemist, James Blake, BadBadNotGood, DJ Dahi, Greg Kurstin, Terrace Martin, 9th Wonder, Cardo, Ricci Riera, Tae Beast, Teddy Walton, Bēkon e Steve Lacy, além da produção executiva de Anthony “Top Dawg” Tiffith e Dr. Dre.
Enquanto “To Pimp a Butterfly” é visto como a obra-prima conceptual e politicamente revolucionária, “DAMN.” destacou-se pelo impacto cultural mais amplo e imediato. Foi mais acessível, mais direto nas suas narrativas e musical que conseguiu alcançar tanto os fãs de rap underground como o público mainstream.
No fim, “DAMN.” não foi apenas um álbum. Foi um momento cultural que ajudou a definir o rap moderno e a consolidar Kendrick Lamar como uma das figuras mais importantes da história do hip-hop.
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