
Há muito tempo queria falar sobre os álbuns “Trincheiras de Ideias” (2002), “Nutrição Espiritual” (2006) e “Proibido Ouvir Isto” (2011). Talvez você se pergunte de quem são esses clássicos, mas claro que todos pertencem a MCK.
MCK, também conhecido como Katrogi, é um rapper angolano de intervenção social. Sempre rimou sobre lutas, liberdade e resistência de um povo historicamente oprimido. Desde os anos 90, sua música gira em torno de desigualdade social, política e democracia. Hoje, além de rapper, é advogado, e usa a sua voz e profissão para reforçar debates sobre direitos humanos, deixa ainda mais claro o impacto que sempre teve na cultura e na sociedade angolana.
A discografia de MCK permanece actual. Muitos dos seus melhores álbuns soam como previsões do estado do país e continuam a ter força mesmo décadas depois. Ao longo dos anos, ele teve desavenças e polémicas, mas nunca se afastou da verdadeira missão a luta pela liberdade e pela consciência social.
TRINCHEIRAS DE IDEIAS (2002)

“Trincheiras de Ideias” marca a estreia oficial do rapper, lançado num momento em que Angola finalmente alcançava a Paz. MCK entra para o mercado como uma das grandes promessas do rap underground de intervenção social, e traz um álbum que mistura política, fome, democracia e temas que reflectem a vida real dos musseques.
Produzido e lançado pela Masta K Produções num período entre a guerra civil e o início da paz, o álbum contou com participações de Ikonoklasta, Keita Mayanda e Leonardo Wawuti, consolidando-se como um dos projectos sucesso do rap underground.
NUTRIÇÃO ESPIRITUAL (2006)

“Nutrição Espiritual” é um clássico absoluto do rap angolano. Lançado em 2006, é considerado um dos trabalhos mais fortes de intervenção social em língua portuguesa.
O conceito do album foi sobre alimentar espiritualmente um povo que vivia de esperança e quase fé. O álbum foi cuidadosamente produzido, desde os samples até à sua concepção geral.
Conta com participações de nomes como Beto de Almeida, Totó, Marília, Toya Alexandre, Boni e Ikonoklasta. É mais actual que muitos projectos actuais e continua a inspirar quem procura força e consciência social. Música como “Atras do Prejuízo” com grande participação do eterno artista Beto de Almeida permanece intemporal.
PROIBIDO OUVIR ISTO (2011)

Após cinco anos de hiato e período marcado por perseguições, MCK regressa com “Proibido Ouvir Isto”, uma resposta directa ao clima político da época.
Lançado em 2011, este álbum reforça a maturidade artística e a coragem do rapper. Apesar de muitos dizerem que aqui ele se afastou da intervenção social, o álbum mostra que o compromisso continua vivo.
Participações de Bruno M, Paulo Flores, Ikonoklasta, Beto de Almeida, Ângela Ferrão, Dabullz e Agente Supremo tornam o projecto ainda mais sólido.
No final, estes álbuns não são apenas música são clássicos que formaram gerações e continuam a servir como referência obrigatória para qualquer rapper que queira fazer intervenção social.
A força deles atravessa décadas e continua relevante no presente, como se o tempo nunca tivesse passado.
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