
“4 de Fevereiro” é o novo single que junta Slow J e Prodígio, dois rappers de origem angolana, ligados também a Portugal, num encontro que cruza gerações, territórios e experiências comuns. A faixa já está disponível nas plataformas digitais e vai além da colaboração musical, é uma mostra de identidade dentro do rap lusófono, com foco direto na vivência de quem cresce entre +244 e +351.
Prodígio representa uma geração que construiu o rap angolano moderno, vivência de rua e afirmação cultural. Slow J surge de um outro tempo, mais introspectivo e técnico, mas igualmente ligado às raízes. A música nasce desse diálogo.
Na produção, Holly, GOIAS e Edimmy constroem uma base que mistura referências musical de Angola e Portugal sem folclore forçado. É uma produção limpa, madura e funcional, que dá espaço às rimas respirarem. O instrumental é tão funcional e claro.
O videoclipe é assinado por Madeinlx que traz um visual próprio para música que liga o aeroporto 4 De Fevereiro, enquanto eles andam pela Banda.
Liricamente, o single fala sobre viver como filho de Angola fora e dentro do território. Não há romantização excessiva nem discurso de ataques. Há observação, identidade dividida, orgulho e tensão. É o retrato de uma geração que carrega Angola no nome, no sotaque e na memória, mesmo quando cresce noutras geografias.
O encontro entre Slow J e Prodígio também tem peso industrial. Mostra que o rap angolano e o rap da diáspora não competem entre si, mas sim conversam. A música prova que colaborações com sentido cultural têm mais impacto do que simples feats estratégicos para números.
“4 de Fevereiro” servirá como um documento cultural dentro do Hip Hop lusófono. Não tenta ser hit nem uma manifestação, mas acaba por cumprir os dois papéis. Relembra que o rap continua a ser um espaço legítimo para preservar memória, discutir identidade e ligar gerações que partilham a mesma raiz, mesmo quando o caminho foi feito em países diferentes.
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