
Kid MC editou Caminhos em 2008 pela Mad Tapes, um dos discos que colocou o rap underground angolano no mapa da década. O álbum consolidou-o como um dos nomes mais discutidos do género no país, numa altura em que a editora dava tração a vários projetos do hip-hop nacional.
Nesses anos, Kid MC rimava sem filtro e não recuava perante ninguém que lhe tentasse tirar espaço. A treta com Dji Tafinha animava o meio, e faixas como “Velórios” fixaram-no como uma das vozes mais respeitadas, e temidas, do underground angolano.
O conteúdo das letras tocava política, questões sociais e motivação pessoal. Esse foi o traço que os fãs mais associam à fase inicial da carreira: um discurso direto, colado à realidade do dia a dia em Angola.
O Incorrigível
Em 2010, dois anos depois de Caminhos, Kid MC lançou O Incorrigível, o álbum que muitos apontam como o seu trabalho mais marcante. O disco aborda a falta de democracia, o desemprego e a fome, e faz também uma leitura direta do estado do rap nacional na altura.
A lista de participações inclui Lancelot, Dapima, Fly Skuad, Dilman, Eliei, Drunk Master e Lucássio, entre outros. O álbum saiu num contexto de forte censura política, o que dá peso extra às letras de intervenção social presentes no disco.
O Incorrigível costuma aparecer em listas de álbuns mais influentes do rap angolano, embora falte confirmar a fonte exata dessas classificações antes de reafirmar o dado em publicação.
Sombra
Sombra deu seguimento ao caminho aberto por O Incorrigível. Nessa fase, Kid MC já tinha lugar garantido no meio e um público fiel a acompanhar cada lançamento.
Para uma parte dos fãs, Sombra foi o último álbum da fase que consideram autêntica na carreira do artista. Depois deste trabalho, dizem, Kid MC afastou-se do discurso de intervenção que definiu Caminhos e O Incorrigível.
Esta leitura é uma opinião de parte do público, não um facto comprovado: não há dados públicos que sustentem a acusação de que o artista “traiu” os fãs ou “se entregou ao sistema”.
O álbum contou com participações de Drunk Master, RAF TAG, Pretchina, Selda Bağcan, MCK, Paulo Matomina, Kool Klever e Bob Da Rage.
Dois Lados da Mesma Moeda
A fase seguinte materializou-se em Dois Lados da Mesma Moeda, lançado em 2016. O título resume, para parte do público, a mudança de discurso identificada depois de Sombra.
Comercialmente, o álbum teve alcance menor do que os três trabalhos anteriores. Para quem quiser revisitar o percurso completo do artista, Caminhos, O Incorrigível e Sombra continuam disponíveis nas plataformas de streaming e resumem quase uma década de rap de intervenção em Angola.


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